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Uma das dimensões mais atractivas do futebol passa por saber quem vão ser os grandes jogadores do futuro. A cada Mundial de Sub-17 ou de Sub-20, a cada Europeu de Sub-17, Sub-19 ou de Sub-21 e mesmo a cada edição do prestigiado Torneio de Toulon, os olheiros e adeptos de todo o Mundo do futebol põem os olhos, nem que seja por mera curiosidade, para tentarem descobrir quais daqueles nomes vão ser os grandes jogadores e os ídolos do futuro.
Entre os nomes que eventualmente poderão sobressair ou captar a atenção de quem segue essas competições, há clubes que recorrente e consistentemente formam grandes jogadores ou jogadores que, pelo menos, acabam por ser escolhas nas suas selecções nacionais. Entre esses clubes podemos mencionar o Ajax e a sua famosa academia, o Barcelona e a sua conhecida «La Masia», as escolas do Schalke 04 que têm fornecido grandes talentos à «Mannschaft», os escalões de formação do Olympique Lyonnais, de onde saiu a base do heptacampeonato do clube ou o AC Milan e a sua cidade desportiva de Milanello. Mas depois, e como no futebol há sempre espaço para todos, existem clubes mais modestos mas cuja formação já revelou jogadores de renome e que chegaram ao espaço internacional, representando o seu país ao mais alto nível. Nas próximas linhas, viajamos por diversos países europeus e damos a conhecer alguns dos casos mais curiosos e impressionantes.
Começamos esta viagem pelo país cujo campeonato nacional tem mais jovens a jogar no primeiro escalão: a Holanda. Todos os anos, dos clubes da Eredivisie, saem jogadores jovens, vendidos para o estrangeiro ou então novos talentos são revelados. Ainda esta época, dos escalões de formação do Groningen saiu a revelação do campeonato: Richairo Zivkovic, apenas 17 anos, que se sagrou o melhor marcador do Groningen no campeonato e já foi entretanto contratado pelo poderoso Ajax. No entanto, Zivkovic não foi o primeiro grande talento que saiu da formação do Groningen, nos últimos anos. Então em 2001, o Mundo do futebol conhecia um jovem de 17 anos chamado Arjen Robben, que também seria transferido (neste caso para o PSV) com a mesma idade de Zivkovic.

No entanto, não é só do Groningen e do Ajax que saem talentos na Holanda. Excluindo também clubes como o PSV Eindhoven, o Feyenoord, o AZ Alkmaar ou o FC Twente, sobram muitos outros capazes de formar talento nas suas camadas jovens. Por exemplo, o conjunto da capital Haia, o Den Haag, foi outrora um dos mais poderosos conjuntos do «País das Tulipas» mas que entretanto perdeu força no panorama futebolístico nacional. No entanto, nomes como Tim Krul, Daryl Janmaat, Eljero Elia ou Lex Immers saíram das suas camadas jovens. Também o Willem II, que já participou na UEFA Champions League apesar de actualmente se encontrar na Segunda Divisão deu a conhecer ao mundo do futebol Joris Mathijsen e Jurgen Locadia. Também o grande rival do Feyenoord, o Sparta Rotterdam, apesar de perder força e vaguear pelas divisões secundárias, formou nomes como Nick Viergever, Jetro Willems, Kevin Strootman, Kew Jaliens ou Ed de Goey.
Muitos outros casos poderiam ser apontados, mas antes de partirmos para outro país deixamos só os de Luuk de Jong (formado no De Graafschaap), Ruud van Nistlerooy (formado no Den Bosch), Mark van Bommel (formado no Fortuna Sittard), Jasper Cillessen (formado no NEC Nijmegen), Giovanni van Bronckhorst (formado no RKC Waalwijk), Dirk Kuyt (formado no Utrecht), Roy Makaay (formado no Vitesse) ou Jaap Stam (formado no PEC Zwolle).
Assim, excluídos estes cinco clubes poder-se-ia pensar que teríamos dificuldades em fornecer mais exemplos à lista de pequenos clubes formadores de grandes talentos. Desengane-se quem pensar assim.


Começamos esta lista com um clube histórico, ex-campeão, mas que se encontra há vários anos pelas divisões secundárias: o Karlsruhe. Mesmo assim, o histórico clube formou jogadores como Oliver Kahn, Jens Nowotny, Mehmet Scholl ou, mais recentemente, Dennis Aogo. Outro ex-campeão, o Kaiserlautern, e actualmente na Bundesliga 2, também viu sair dos seus escalões de formação Roman Weidenfeller e Miroslav Klose. Também o Greuther Furth já foi campeão alemão e voltará a disputar a Bundesliga 2 na próxima época (após ter falhado no play-off disputado frente ao Hamburgo) e viu das suas fileiras sair Heiko Westermann. E para fechar o rol de ex-campeões a disputar o escalão secundário (ainda que tenha carimbado o regresso à Bundesliga esta época) temos o FC Koln, cuja formação deu a conhecer ao mundo Lukas Podolski mas também Carsten Jancker e Thomas Hassler.
Além destes exemplos, muitos outros podem ser assinalados. Desde os gémeos Bender (Lars e Sven) que foram formados no 1860 Munchen, passando pela ascensão de Torsten Frings a partir do Alemania Aachen ou da caminhada de Ilkay Gundogan, iniciada no Bochum. Temos também o malogrado Robert Enke, formado no Carl Zeiss Jena, juntamente com Bernd Schneider, Michael Ballack proveniente do modesto Chemnitzer, Jens Jeremies e Ulf Kirsten formados pelo Dynamo Dresden (cujo tamanho e fidelidade da massa adepta não encontra paralelo nos desempenhos futebolísticos), Oliver Bierhoff criado no modestíssimo KFC Uerdingen 05 ou Mesut Ozil no Rot-Weiss Essen.
Para finalizar, uma lista de clubes que esta temporada disputaram a Bundesliga e que formaram jogadores internacionais alemães. Começamos pelo Hamburger, que conseguiu a manutenção só através de um play-off disputado frente ao Greuther Furth (continuando assim a ser uma das equipas que nunca desceu de divisão) e que formou Sidney Sam. O Nurnberg, que acabou mesmo despromovido, formou o goleador Stefan Kiessling. Do Werder Bremen saíram nomes como Simon Rolfes, Tim Borowski, Marco Bode ou Max Kruse, do Hannover 96 temos Per Mertesacker, Sebastian Kehl, Gerald Asamoah e Fabian Ernst, no Herta Berlin Jerôme Boateng e Carsten Ramelow e fechamos a lista com o vibrante André Schurrle, proveniente da formação do Mainz.
Terminado o périplo pela Alemanha, viajamos até França, onde a formação de talentos futebolísticos tem sido incessante. Ainda em 2013 a França sagrou-se campeão mundial de Sub-20, numa equipa onde sobressaíam os nomes de Floran Thauvin, Yaya Sanogo ou, principalmente, Paul Pogba. De falta de talento formado pelos seus clubes, a França não se pode queixar e mesmo se excluirmos os poderosos PSG, Olympique Lyon, Marseille e Bordeaux, a lista é realmente impressionante.

Começamos por um dos novos ricos do futebol francês: o Monaco. Antes dos mega-investimentos de Dmitry Ribovlev, o Monaco era um clube relativamente modesto, com apenas algumas aparições esporádicas na alta roda do futebol francês e europeu (como em 2004, quando chegou à final da Champions League). No entanto, da Côte d'Azur surgiram talentos como Thierry Henry, Lilian Thuram, Gael Givet, Phillippe Christanval ou Emmanuel Petit.

Em França, sempre existiu uma espécie de guerra silenciosa sobre quem é a melhor escola de jogadores. Normalmente, reduz-se essa luta entre dois clubes (o Auxerre e o Nantes) mas aqui no blog decidimos alargar essa luta a cinco clubes. Além do Auxerre (que formou entre outros Bacary Sagna, Abou Diaby e Djibril Cissé) e do Nantes (com nomes como Mickael Landreau, Dimitri Payet, Jérémy Toulalan ou Marcel Desailly) juntamos o Cannes (de onde saíram Gael Clichy, Sébastien Frey, Patrick Vieira, Zinedine Zidane, Johan Micoud e Julien Escudé), o Le Havre (que formou Steve Mandanda, Jean-Alain Boumsong, Lass Diarra, Pascal Chimbonda, Vikash Dhorasoo e Guillaume Hoarau) e o Saint-Ètienne (de onde saíram Kurt Zouma, Joshua Guillavogui, Bafétimbi Gomis, Grégory Coupet e Willy Sagnol). O leitor decide.

Além desta luta a cinco, muitos outros clubes franceses viram sair das suas fileiras jogadores de grande talento e que chegaram a internacionais franceses. Entre esses clubes estão o Caen (com William Gallas, Yoan Gouffran e Jérôme Rothen), o Lille (com Mathieu Debuchy, Yohan Cabaye, Lucas Digne e Bernard Lama), o Metz (com Louis Saha e Robert Pirès), o Rennes (que formou Anthony Réveillère, Yoann Gourcuff, Yann M'Vila, Mikael Silvestre e Sylvain Wiltord), o Sochaux (onde se formaram Jérémy Ménez e Benoît Pedretti) e o Toulouse (casa de Moussa Sissoko, Étienne Capoue, Fabien Barthez e Vincent Candela).

Para terminar a viagem em território francês, deixamos outros clubes conhecidos como o Guingamp (casa de Lauren Koscielny), o Lens (clube que formou Raphael Varane), o Lorient (que criou André-Pierre Gignac), o Nice (casa de Hugo Lloris) e o Strasbourg (que criou Olivier Dacourt) mas também os mais surpreendentes e mais desconhecidos como o AS Lyon-Duchère (onde se formou Éric Abidal), o Châteauroux (onde se formou Floren Malouda), o Grenoble (de onde saíram Olivier Giroud e Youri Djorkaeff), o Melun (casa de Claude Makelele), o Red Star 93 (que criou Steve Marlet), o Troyes (clube de formação de Blaise Matuidi) e o US Boulogne (o clube que deu a conhecer Franck Ribéry).

Depois de uma viagem pelo interior futebolístico de França, nada melhor do que voar até Itália e até ao «Calcio». Em Itália vive-se e respira-se futebol. Em Milão, Turim, Génova e Roma há derbys que param e dividem completamente as cidades. Existem rivalidades regionais intensíssimas e que apimentam ainda mais o gosto e a cultura do futebol. Além de tudo isto, a Itália é um país cujas selecções são presença assídua nas diversas fases finais dos escalões de formação. Excluindo os seis clubes mais fortes (Juventus, Inter, AC Milan, Roma, Lazio e Napoli) poder-se-ia pensar que a lista ficaria imensamente reduzida. As próximas linhas vão mostrar o contrário.

Além dos seis conjuntos excluídos desta análise, outras 8 equipas que disputaram a Serie A esta época têm entre si um conjunto de jogadores capazes de fazer inveja a qualquer academia. Desses 8 clubes, o que obteve melhor classificação foi a Fiorentina (4º lugar) e de onde saíram Angelo Palombo e Cristiano Zanetti. Um pouco mais abaixo, mas ainda dentro das posições europeias ficou o Parma, casa de Gianluigi Buffon e Giuseppe Rossi. Dois lugares abaixo do Parma, no 8º lugar, ficou o Torino, casa-mãe de jogadores como Angelo Ogbonna, Fabio Quagliarella e Christian Vieri. Depois do emblema de Turim encontram-se na tabela o Hellas Verona (que formou Andrea Dossena e Damiano Tommasi), o Genoa (casa de Mattia Perin, Domenico Criscito, Stephan El Shaarawy e Christian Panucci), a Atalanta (que formou Giorgio Chiellini) e os despromovidos Bologna (que formou Fabio Borini, Alessandro Gamberini e Cristian Zaccardo) e Livorno (casa de Giorgio Chiellini).

Mesmo com 14 conjuntos já analisados, o futebol italiano tem muito mais para dar, numa lista extensíssima. Como curiosidade, deixa-se alguns dos nomes mais sonantes num total de 45 jogadores, divididos por 36 clubes diferentes. Começamos pelo Arezzo (casa de Andrea Ranocchia) e pelo Avellino (que formou Antonio Nocerino). Passamos pelo Bari (de onde saíram Antonio Cassano e Nicola Legrottaglie), pelo Brescia (que formou Andrea Pirlo, Paolo Negro e Daniele Bonera) e pelo Cesena (casa de Massimo Ambrosini). Espaço também para falar do Como (de onde saiu Gianluca Zambrotta), do Empoli (casa de Antonio Di Natale), do Lecce (de onde saiu Antonio Conte), do Modena (que formou Luca Toni) e do Monza (que formou Christian Abbiati).


Do Pádova saíram Vicenzo Iaquinta e Alessandro Del Piero, do Perugia saiu Gennaro Gattuso, do Pescara saíram Marco Verratti e Morgan De Sanctis e do Piacenza os avançados Alberto Gilardino e Pippo Inzaghi. Os laterais Fabio Grosso e Massimo Oddo foram formados pelo Renato Curi, o avançado Ciro Immobile pelo Sorrento, o extremo Antonio Candreva pelo Ternana, o avançado Marco Borriello pelo Treviso e o guarda-redes Salvatore Sirigu pelo Venezia. E terminamos pelos centrais: Andrea Barzagli pelo Rondinella, Marco Materazi formado no modesto Tor di Quinto e Leonardo Bonucci pelo Viterbese.
Em Junho de 2013, a Itália disputava a final do europeu de Sub-21, em Israel, frente à Espanha, que conquistaria o seu segundo campeonato europeu da categoria consecutivo, após ter conseguido o mesmo em 2011. A Espanha, além de uma selecção principal fortíssima, especializou-se também na formação, rentabilizando os talentos provenientes não só de La Masia (Barcelona), de La Fábrica (Real Madrid), de Manzanares (Atlético Madrid) ou do País Basco (Athletic Bilbao) como também de muitos outros clubes. Entre esses «muitos outros clubes» estão o Sevilla (que formou Alberto Moreno, Sergio Ramos, Jesús Navas, Carlos Marchena ou José Antonio Reyes), o Valência (que formou Raúl Albiol, David Silva ou Andrés Palop) e a Real Sociedad (de onde saíram Xabi Alonso, Joseba Etxeberria ou Javier De Pedro). Depois existem todos os outros.

No meio de todos os que restam, há alguns nomes que se destacam, seja pela familiaridade e pelo conhecimento, seja pelo desconhecimento total ou surpresa. Ficando ao critério do leitor enquadrar na categoria que entender, temos os casos de Fernando Morientes (formado no Albacete), Joaquín e Diego Tristán (formados no Bétis), Pablo Hernández e Gaizka Mendieta (formados no Castellón), Michel Salgado (criado no Celta Vigo), Juan Carlos Valerón (formado no Las Palmas), Vicente (criado no Levante), Iván Helguera (produto da formação do Manchego), César Azpilicueta, Javi Martínez e Nacho Monreal (formados pelo Osasuna), Santi Cazorla e Juan Mata (provenientes do Oviedo), Álvaro Negredo (formado pelo Rayo Vallecano), David Villa, Luís Enrique e Abelardo (provenientes do Sporting Gijón) e Rubén Baraja e Fernando Hierro (formados no Valladolid).
Fazemos agora no blog aquilo que ultimamente se tem verificado no mercado de transferências: viajar de Espanha tendo como destino Inglaterra. No país de «Sua Majestade» olhamos para todos aqueles que não saíram das camadas de formação dos gigantes Manchester United, Liverpool e Arsenal e dos novos ricos do futebol inglês Chelsea e Manchester City. Mesmo assim, tal como tem sido observado nos outros países observados, a lista não deixa de ser extensa e de contemplar nela tanto clubes históricos e de primeira linha do futebol nacional, como emblemas modestíssimos e até desconhecidos do grande público.
Entre os emblemas de primeira linha e os desconhecidos, existem também os históricos, que já foram grandes e que actualmente lutam para o voltarem a ser. Nesses exemplos, temos os casos do Leeds United, antigo campeão inglês e representante do país nas provas da UEFA. Das camadas jovens do Leeds saíram nomes como James Milner, Aaron Lennon, Paul Robinson e Scott Carson. Outros históricos e outrora poderosos que se enquadram no mesmo exemplo do Leeds são o Ipswich Town (de onde saíram Kieron Dyer e Richard Wright), o Nottingham Forest (que formou Michael Dawson e Jermaine Jenas) e o Wolverhampton (que deu a conhecer Joleon Lescott).
Voltando aos clubes que continuam na alta roda do futebol inglês e de boa saúde começamos por um dos mais activos e que mais se tem intrometido entre os grandes: o Tottenham. Os «Spurs» costumam reunir excelentes plantéis mas sem descurar a sua academia. Disso é exemplo Ledley King, Peter Crouch, Sol Campbell, David Beckham ou mais recentemente Andros Townsend. O seu vizinho e rival citadino, o West Ham, também é conhecido por uma «cantera» forte. De lá saíram nomes como Glen Johnson, Frank Lampard, Jermain Defoe, Joe Cole, Michael Carrick, Rio Ferdinand e Paul Ince. Em Londres encontramos também exemplos no Charlton (Scott Parker e Jonjo Shelvey), no Crystal Palace (Gareth Southgate) e no Milwall (Teddy Sheringham).

Um clube que fez uma temporada 2013/2014 bastante boa foi o Southampton, sob o comando de Mauricio Pocchetino. Para isso muito contribuíram os desempenhos de Luke Shaw e Adam Lallana, formados no clube. No entanto, os «Saints» deram também a conhecer nomes como Alex Oxlade-Chamberlain, Theo Walcott, Wayne Bridge ou Alan Shearer. Luke Shaw vai de resto lutar pelo posto de defesa esquerdo titular na selecção inglesa com Leighton Baines, formado no Wigan Athletic. De resto, no Mundial do Brasil vão também estar presentes Rickie Lambert (formado no Blackpool), Gary Cahill (formado no Burnley), Wayne Rooney e Ross Barkley (formados no Everton, tal como Leon Osman), Chris Smalling (formado nos amadores do Maidstone United), Phil Jagielka (formado no Sheffield United), Joe Hart (formado no Shrewsbury Town), Fraser Forster (formado no Wallsend BC) e Jordan Henderson (formado no Sunderland).
Por outro lado, fora do Mundial vão estar Gareth Barry e Gabriel Agbonlahor (que, juntamente com Darius Vassell, foram formados no Aston Villa), Phil Jones (formado no Blackburn), Matthew Upson (formado no Luton Town), Stewart Downing (formado no Middlesbrough), Andy Carroll e Steven Taylor (formados no Newcastle), Robert Green (formado no Norwich), Ben Foster (formado no Racing Club Warwick) e Ashley Young (formado no Watford).

Por falar em Mundial e em Inglaterra, o antigo seleccionador inglês, Fabbio Capello, vai orientar a Rússia no torneio a disputar no Brasil. E por isso, viajamos até à Rússia para então aí descobrir mais curiosidades sobre os clubes que formaram diversos internacionais russos. Durante muito tempo facilmente se ficava com a ideia que na Rússia só se jogava bom futebol nos emblemas da capital, Moscovo. No entanto, o Zenit St. Petersburg tratou de inverter um pouco o domínio dos emblemas da capital. Excluindo todos os clubes de Moscovo (até mesmo os menos conhecidos como o Torpedo-ZIL e o FK Moskva) e o Zenit vemos que muitos outros clubes têm histórias para contar.
Para começar, durante anos o motor do Zenit, alastrando também a sua influência à selecção russa que impressionou no Euro 2008, Konstantin Zyryanov foi formado no Amkar Perm. No Zenit, com Zyryanov, jogavam Aleksandr Bukharov (formado no Chernomorets Novorossiysk), Sergei Semak (formado no FC Presnya), Aleksandr Anyukov (formado no Krylya Sovetov) e Viktor Fayzulin (formado no SKA Energya). Actualmente, Oleg Shatov (formado no FK Ural) também é companheiro de Zyryanov, Anyukov e Fayzulin no emblema de St. Petersburg.
Além destes nomes temos ainda os casos de Aleksey Smertin (formado no modesto Dynamo Barnaul), Roman Pavlyuchenko (formado pelo Dynamo Stavropol), Dmitri Loskov (fruto das camadas jovens do FK Rostov), Sergey Ignashevich e Alan Dzagoev (ambos formados no Krylya Sovetov), Denis Boyarintsev (formado pelo Nosta Novotroitsk), Evgeni Aldonin (produto do Rotor Volgograd), Sergei Ryzhikov (formado pelo Salyut Belgorod), Evgeni Makeev (nascido para o futebol no Sheksna Cherepovets) e Yuri Zhirkov e Dmitri Sychev (formados no Spartak Tambov).
Em mais uma paragem desta longa viagem, passamos da Rússia para a Grécia. Pouco se fala do futebol grego além da selecção campeã europeia em 2004. A verdade é que quando se olha para o futebol helénico automaticamente se fala nos emblemas de Atenas (Panathinaikos, Olympiacos e AEK) e nos de Salónica (PAOK e Aris). No entanto, há muito mais do futebol grego para se conhecer e com uma palavra importante no desenvolvimento de vários internacionais pelo país.
Começamos esta viagem às entranhas do futebol da Grécia pelo desconhecido Anagennisi Arta, clube que deu a conhecer nomes como os de Antonios Nikopolidis e de Michalis Kapsis. O jovem promissor Kostas Fortounis começou a sua carreira no AO Trikala. Os campeões europeus em 2004 e laureados jogadores Giorgos Karagounis e Demis Nikolaidis são provenientes da formação do Apollon Smyrnis. Quando o AEK era uma equipa temível na Champions League, Vassilis Tsiartas e Vassilis Lakis eram dois dos jogadores mais perigosos, sendo que ambos chegaram da formação do desconhecido FAS Naoussa FC.
Durante anos foi um dos símbolos do Bolton na Premier League e foi também campeão europeu em Portugal, mas Stelios Giannakopoulos tem também um clube modesto na sua formação: o Fostiras. De resto, também Theodoros Zagorakis (formado no Kavala), Theofanis Gekas e Vangelis Moras (ambos formados no Larissa), Orestis Karnezis, Michalis Sifakis, Sotirios Kyrgiakos e Nikos Machlas (todos formados no OFI Crete), Panagiotis Glykos (formado no Olympiacos Volos), Kostas Katsouranis e Grigorios Georgatos (ambos formados no Panachaiki), Loukas Vyntra (fruto da formação do Paniliakos), Giannis Maniatis, Andreas Samaris, Alexandros Tziolis e Takis Fyssas (todos criados no Panionios), Nikos Spiropoulos e Giourkas Seitaridis (oriundos do PAS Giannina), Kostas Konstantinidis (formado pelo Pierikos), Kostas Manolas (formado pelo Thrasyvoulos) e Dimitrios Siovas, Vasilis Torosidis, Christos Patsatzoglou, Stelios Venetidis e Zisis Vryzas (todos eles formados pelo Xanthi) tiveram uma formação num clube modesto, mais ou menos desconhecido e longe do poderio dos grandes de Atenas e Salónica e nem por isso deixaram de ter uma carreira com títulos e internacionalizações pelo seu país.
Desta vez bem mais curto o salto dado, vamos da Grécia para a Turquia, a sua grande rival política, geográfica e futebolística. Na Turquia, a capital político-administrativa é Ankara, mas todos sabem que a capital futebolística é Istambul. É nessa cidade que se concentram os três grandes dominadores do futebol turco: o Galatasaray, o Besiktas e o Fenerbahçe. Mesmo que estes três clubes dominem entre si o futebol turco, não deixa de haver espaço para outros clubes surgirem (como foi o caso do Bursaspor em 2009/2010) ou de terem um papel importante na formação de grandes talentos.
Já que mencionamos o Bursaspor, começamos por esse clube da cidade de Bursa, que deu a conhecer nomes como os de Sercan Yildirim, Serdar Kurtulus ou Okan Yilmaz. O seu grande rival regional é o Trabzonspor, cuja formação criou Gokdeniz Karadeniz e Fatih Tekke. Além destes dois clubes, outros deram também a conhecer futuros internacionais turcos como Hasan Sas (proveniente do Adana Demirspor), Alpay Ozalan e Necati Ates (vindos do Altay Izmir), Umut Bulut (formado no Ankaragucu), Burak Yilmaz e Rustu Reçber (formados no Antalyaspor), Mehmet Topal e Selçuk Inan (formados no Dardanelspor), Hakan Unsal (formado no DC Karabukspor), brahim Toraman e Ibrahim Uzulmez (formados no Gaziantepspor), Gokhan Gonul, Gokhan Unal, Serkan Balci, e Ilhan Mansiz (formados no Gençlerbirligi), Gokhan Zan (vindo do Hatayspor), Volkan Demirel, Egemen Korkmaz, Olcan Adin e Servet Çetin (oriundos da formação do Kartalspor), Mehmet Topuz (oriundo do Kayseri Erciyesspor), Caner Erkin (vindo do Manisaspor) e Tuncay Sanli e Hakan Sukur (provenientes do Sakaryaspor).
Se a Turquia fez sonhar o seus adeptos no Mundial 2002, a Bélgica está a fazer sonhar os seus adeptos para o Mundial 2014. Em 2002, a Turquia conseguiu um incrível e improvável terceiro lugar, algo que os belgas não se importariam certamente de, pelo menos, igualar, em 2014. Para a selecção que agora apresenta, a Bélgica assenta muito em elementos jovens, ambiciosos e que resultaram de um investimento forte dos clubes belgas. À cabeça, os gigantes Anderlecht, Standard Liège, Club Brugge e Racing Genk cotam-se como os melhores clubes belgas e os com melhores academias de formação. No entanto, tal como tem sido regra neste texto, há também espaço para outros clubes mais pequenos formarem grandes jogadores.
Entre esses clubes está o Lierse, actualmente a braços com uma reestruturação administrativa e financeira que afasta o clube das zonas de decisão. No entanto, o Lierse formou internacionais como Carl Hoefkens, Filip Daems, Stein Huysegems, Nico Van Kerckhoven e Gert Verheyen. Além do Lierse, outros clubes deram o seu contributo para as selecções da Bélgica como o Gent (com Nicolas Lombaerts, Dries Mertens e Gaby Mudingayi), o Berchem Sport (com Moussa Dembélé), o Charleroi (com Daniel Van Buyten), o CS Visé (com Guillaume Gillet e Roland Lamah), o Geel (com Bart Goor e Joos Valgaeren), o KTH Diest (com Timmy Simons), o Kortrijk (com os irmãos Émile e Mbo Mpenza), o KV Mechelen (com Glen De Boeck), o Beerschot AC (com Jelle Van Damme), o La Louvière (com Silvio Proto), o RWD Molenbeek (com Wesley Sonck) e o Saint-Truiden (com Simon Mignolet).

Para terminar, paramos esta viagem num país que, tal como a Rússia, durante demasiado tempo viveu muito centrado nos emblemas da capital: falamos da Roménia. Olhar para o futebol romeno só tendo em atenção o que fazem o Steaua, o Dinamo e o Rapid Bucuresti é um erro crasso. A lista seguinte de jogadores que saíram das camadas de formação de outros clubes sediados fora da capital irá explicar o porquê.

Começamos pelo modesto CSM Resita, casa de formação de jogadores como Cristian Chivu ou Ion Timofte. Além do CSM Resita, outros clubes trouxeram para a ribalta futebolística nomes como os de Vlad Chiriches (graças ao Ardealul Cluj), Cristian Tanase, Adrian Mutu, Marius Bilasco, Nicolae Dica e Adrian Neaga (formados no Arges), Paul Codrea (formado no Banatul Timisoara), Gabriel Tamas, Alexandru Chipciu, Romeo Surdu, Tiberiu Ghioane e Ioan Ganea (formados no Brasov), Gabriel Torje (formado no CFR Timisoara), Florin Gardos e Adrian Popa (formados no Concordia Chiajna) e Bogdan Stancu (formado no Dacia Mioveni).
Verificamos ainda nomes como os de Adrian Ilie (formado no FC Extensiv Craiova), Bogdan Lobont (formado no FC Hunedoara), Valentin Badoi (formado no FCM Bacau), Alexandru Bourceanu (formado no FCM Dunarea), Cristian Sapunaru e Ovidiu Petre (formados no FC Progresul), Dorin Goian (formado no Foresta Sighet), Lucian Sanmartean e Viorel Moldovan (formados no Gloria Bistrita), Dorinel Munteanu (formado no Metalul), Daniel Pancu (formado no Poli Iasi), Costel Pantilimon, Iasmin Latovlevici, Banel Nicolita e Cosmin Contra (formados no Poli Timisoara) e Silviu Lung, Mirel Radoi e Gheorghe Popescu (formados no Universitatea Craiova).
Depois de mais uma alucinante, desgastante mas enriquecedora viagem pela Europa do futebol, é importante salientar aquilo que nos motivou ao longo de todo o processo: a vontade de descobrir mais sobre o futebol, sobre a origem dos jogadores internacionais pelas suas selecções e o gosto em perceber quão amplo é o mundo do futebol. À medida que este texto se escrevia e à medida que esta pesquisa ia sendo efectuada, houve o conhecimento de muitos clubes dos quais nunca se tinha ouvido falar antes, seja por falta de mediatismo do campeonato ou pela modéstia do clube. No entanto, esses clubes não deixam de ter o seu mérito nem deixam de ter o direito de ocuparem o seu lugar. Neste texto e na história do futebol. Se pelo menos algum clube antes desconhecido passar para o léxico futebolístico corrente de um leitor, então o nosso objectivo está cumprido.

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